Festival de Cinema de Gramado
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11/07/17
Diego Vara/Pressphoto

Seleção de filmes une qualidade e ineditismo

Competição

No ano em que celebra sua 45ª edição, o Festival de Cinema de Gramado apresenta uma seleção de filmes à altura da sua marca histórica. Serão 42 títulos em competição, 14 longas-metragens divididos entre brasileiros e estrangeiros, e 28 curtas, agrupados nas mostras gaúcha e nacional.

“São filmes interessantíssimos, eu me apaixonei por vários”, revelou, animado, um dos curadores do evento, o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, ao abrir a coletiva de imprensa de apresentação das obras e homenagens de Gramado em 2017, na manhã desta terça-feira, 11 de julho.

O desafio dos curadores em 2017 foi garantir, ao mesmo tempo, o ineditismo de todos os longas em solo brasileiro e o padrão de qualidade das obras apresentadas, atestado pelas exitosas passagens dos selecionados em festivais de referência como Berlim, Sundance, Sán Sebastián e Guadalajara. “Vimos vários desses filmes sendo muito aplaudidos e premiados em outros eventos”, referiu Santuario.

Os gêneros presentes neste 45º Festival de Cinema de Gramado são diversos: há ficção, documentário e até o “falso-documentário”, como foi classificado o filme de Carlos Gerbase, “Bio”. Entre os curtas, mais uma vez há farto espaço para animações, modalidade também destacada pela personalidade que recebe o troféu Eduardo Abelin, o cineasta gaúcho Otto Guerra, que foi aplaudido em pé na coletiva ao ser anunciado.

O perfil de realizadores é igualmente múltiplo nesta edição: há estreantes em longas – caso de Fábio Meira (“As Duas Irenes”) e de Federico Godfrid (do argentino “Pinamar”) – competindo com velhos conhecidos do festival, caso do gaúcho Carlos Gerbase (“Bio”) e de nomes consagrados como Laís Bodansky ou Paulo Betti, que apresenta seu segundo longa como diretor no festival, “A Fera na Selva”.

E se é de grandes figuras da sétima arte que se fala, as homenagens feitas pelo Festival de Cinema de Gramado em 2017 são um capítulo à parte: ao lado de Otto Guerra, recebem troféus especiais as atrizes Dira Paes (Oscarito), Soledad Villamil (Kikito de Cristal) e o ator Antônio Pitanga (Cidade de Gramado). Time capaz de contar uma boa parte da história do cinema latino-americano.

Com 40 filmes e dois Kikitos no currículo, por “Noite de São João” (2003) e “Ribeirinhos do Asfalto” (2011), Dira “é um tesouro brasileiro”, nas palavras de Rubens Ewald Filho.

Pitanga foi, ele próprio, tema de um documentário que será exibido em Gramado, e estrelou nada mais nada menos, que o primeiro e o último filme dirigidos por Glauber Rocha. “Preparem-se, pois ele gosta muito de contar histórias”, antecipou Santuário.

Já a argentina Soledad Villamil brilhou em dois dos mais importantes filmes latino-americanos, ambos dirigidos por Juan José Campanella: “O mesmo amor, a mesma chuva” (1999) e “O segredo de seus olhos”, vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro em 2009. No próximo ano ela poderá ser vista no novo longa-metragem do gaúcho Paulo Nascimento, que está sendo finalizado. “Ela está muito contente, pois sempre quis vir ao festival”, completou o jornalista.

Resistência e superação

Os discursos das autoridades durante a coletiva de lançamento do 45º Festival de Cinema de Gramado demonstraram a obstinação das equipes envolvidas e da própria comunidade gramadense em levar adiante o evento.

“Nesses 45 anos, Gramado sofreu toda a espécie de revezes: econômicos, políticos, culturais, como a extinção da Embrafilmes que fez, em 1992, abrirmos o festival para obras estrangeiras. Mas sobreviveu a todos eles, graças à valorosa gente que luta pela sua permanência”, observou o prefeito de Gramado, João Alfredo de Castilhos Bertolucci, o Fedoca.

Já o presidente da Gramadotur, a autarquia responsável pela realização do evento, Edson Néspolo, destacou a ousadia da equipe, ao planejar um festival com recursos “10% superiores ao do ano passado” mesmo em tempos de retração de verbas na área cultural.

O empenho em construir um festival com a importância de Gramado, o mais antigo em atividade ininterrupta no Brasil e um dos mais tradicionais do continente foi resumido na saudação de abertura do Secretário Estadual da Cultura, Esporte e Turismo, Victor Hugo: “Fazer cinema, fazer história. Fazer, fazer, fazer”.

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