Ruy Guerra: “não fiz todos os filmes que queria fazer, mas jamais fiz um filme que não quis”
Acabou há poucos instantes a entrevista com o grande homenageado da noite de hoje, o cineasta Ruy Guerra. Hoje será entregue ao realizador o Kikito de Cristal pela sua extensa e reconhecida trajetória dentro do cinema nacional. O contato com o cinema começou há 62 anos, quando Ruy pegou a primeira câmera na mão, uma 8mm, aos 16 anos. De lá para cá sua filmografia inclui títulos como “Os Cafajestes” (1962), produção revolucionária que mostrou o primeiro nu frontal nas grandes telas, e “Os Fuzis” (1964), vencedor do Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim e indicado ao Urso de Ouro.

O filme mais recente assinado por Ruy é O Veneno da Madrugada (2005). Para o diretor, o filme enfrentou vários problemas de lançamento, além de a crítica dividir suas opiniões. Entre os projetos atuais do cineasta está a criação de um curso avançado de direção, que será ministrado na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e que deve contemplar a teoria e a prática. “Quando falo no curso em duas dimensões não quero falar da teoria sem que ela vá para o campo da ação. Se as coisas não caminham juntas muitos aspectos teóricos são perdidos porque não se sabe executá-los.”

Guerra contou que há mais de dez anos não lê ficção. “Cheguei a um nível de paixão pela ficção que não encontro nos ficcionistas. Isso não acontece com a física e a matemática. Rio muito lendo física, existem uns ensaios e umas especulações que não revelam nada, é muito instigante lê-los porque abrem caminhos para a loucura e, ao mesmo tempo, me sinto tranqüilo porque não preciso obedecer a nada, a cânone algum”.

Entre as observações do cineasta há uma com a qual ele brinca dizendo que veículo algum divulga. “Digo com toda a minha idoneidade política e estética: o cinema brasileiro há muitos anos é melhor do que o cinema norte-americano. O cinema brasileiro atual, independentemente dos seus desequilíbrios, arrogâncias e imperfeições, representa muito melhor do que o norte-americano a sua identidade.

Sobre suas preferências o cineasta completa: “pertenço a uma espécie em extinção no cinema, hoje não há mais espaço para a criação. Gosto a cada dia mais de fazer filmes de baixo orçamento porque quanto maior o financiamento menos direito temos de fazer o que queremos”. E conclui: “não fiz todos os filmes que queria fazer, mas jamais fiz um filme que não quis”

37º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO | ASSESSORIA DE IMPRENSA

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