Atores e diretores debatem filmes exibidos ontem no Palácio dos Festivais
14/08/2008
Foram debatidos esta manhã os curtas “Presidente dos Estados Unidos”, “Subsolo”, “Osório” e “Dossiê Rê Bordosa”. Participaram jornalistas, cinéfilos, atores e diretores.

Os realizadores foram questionados sobre a importância da trilha nos filmes. Para eles, a sonorização adequada ajuda na compreensão, determinando o ritmo e a ambientação das cenas. No curta Osório, de Heloisa Passos e Tina Hardy, a trilha privilegiou os sons originais da Praça General Osório, em Curitiba. Segundo as diretoras, o filme revela a descoberta dos movimentos cotidianos da praça.

A violência contra a mulher e a loucura foram os temas explorados pelo diretor de O Presidente dos Estados Unidos. De acordo com a atriz Daniela Câmara, os ensaios duraram mais de um mês para que a cena em que sua personagem é assassinada pudesse surpreender os expectadores.

Em subsolo, o diretor Jaime Lerner, explicou que a personagem de Carla Marins vive um conflito com o destino. Mas que consegue vencê-lo e ser feliz, apesar de deixar em aberto o final da história para que o público possa fazer sua própria decisão.

Em Dossiê Rê Bordosa, o realizador Cesar Cabral revela que mergulhou no universo dos anos 80 durante o período de produção. Para ele, a escolha de quem iria fazer a voz da personagem foi uma das etapas mais delicadas. A escolhida foi a atriz Grace Gianoukas.


Na seqüência, aconteceu o debate do filme colombiano “Perro Come Perro”. Participaram da mesa o ator Oscar Borda e o roteirista Alonso Torres. Quando indagados sobre a semelhança do filme com a obra de Quentin Tarantino, Torres afirmou que não era intenção do diretor Carlos Moreno buscar alguma similaridade com o cineasta americano: “O longa parece um tanto tarantinesco sim, mas é engraçado, pois Carlos não gosta de Tarantino”.

Os colombianos contam que o filme não aborda apenas o narcotráfico. “Perro Come Perro fala de vingança, de ambição e de traição. É uma história que pode se passar em qualquer parte do mundo, como no Rio de Janeiro, São Paulo ou Buenos Aires. Nós, colombianos, estamos cansados do narcotráfico”, dizem.

O ator Oscar Borda revela que o país não possui infra-estrutura para o cinema. Ao contrário de países como o Brasil, que produz 100 filmes por ano, a produção na Colômbia não passa de 12. Perro Come Perro, que já foi exibido para os colombianos, tinha uma expectativa de público de um milhão de pessoas, mas levou apenas 400 mil expectadores às salas de cinema por causa da pirataria. “A polícia nos informou que foi o filme mais pirateado da Colômbia, com 1 milhão e 200 mil cópias vendidas. Pessoas em Nova Iorque e Barcelona me disseram que já viram o filme. Isso é ruim porque o realizador precisa ter o retorno de seu investimento”, lamenta Alonso.

A rodada de debates desta quinta-feira terminou com o longa nacional “Pachamama”, do diretor Eryk Rocha. Ao ser indagado sobre as imagens trabalhadas por ele, Eryk conta que as cenas do filme mostram alguém que está aprendendo, não só com os índios, com as histórias, mas também com a paisagem e suas cores. “Pra mim o desafio ao produzir este documentário era juntar esses dois aspectos: as imagens de um continente ligado à terra, essa plasticidade mítica com a questão da política”, diz.

O diretor também concluiu que ficou muito claro durante sua viagem que a América Latina possui uma cultura milenar que está servindo de inspiração para um novo pensamento político: “Eles (povos latino-americanos) tem uma filosofia política mais original. Não é uma esquerda revolucionária. É um movimento original, inspirado na terra, na cultura ancestral”.

Para os cinéfilos o filme possui uma característica contemplativa e poética. O diretor explicou que isso fez parte da viagem o tempo todo, por isso trabalhou com cuidado especial a trilha e as imagens captadas, que recebem pouquíssimo tratamento final. “O som traz uma experiência sensorial da imagem. Para mim ele é 50% ou mais de todo o filme. Essa idéia em trabalhar com a luz, a paisagem em mutação, as cores, isso é muito forte, é natural. Eu só enquadrei a imagem e filmei, as cenas foram passando pela estrada. Quis romper um pouco como realismo do documentário. Por isso usei o som para quebrar, causar outras sensações”, afirma.

Eryk Rocha disse que durante sua passagem pelo Peru encontrou muito a questão da ancestralidade, dos ritos e da cultura. Já na Bolívia, seu caminho foi cruzado pela agitação, pelo nervosismo político que o país vive. O cineasta revela também que passou por algumas situações de risco. “Tive que explicar algumas vezes que e não era norte-americano e até convencê-los disso, corria risco de apanhar. Depois precisava explicar que não era jornalista, era um cineasta querendo mostrar a realidade deles. Acho que esse risco, esse conflito é o filme, foi o que eu encontrei. As pessoas lá ainda sentem muita raiva”, finaliza.


COORDENAÇÃO ASSESSORIA DE IMPRENSA
36º FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO

Ana Mota
+55 (51) 30132282 / 7814.1949 / 8124.1809/ 8109.9699
Av. Protásio Alves 3111/501
Petrópolis - Porto Alegre - RS
CEP 90.410.003

imprensa@festivaldegramado.net