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Eliana Pittman vem a Gramado para exibição do curta que homenageia o pai
13/08/2008
O curta londrinense "Booker Pittman", de Rodrigo Grota, será exibido amanhã, dentro da mostra competitiva dos curtas. O filme, que mostra a passagem do jazzman americano Booker Pittman (1909-1969) por Londrina em 1950, é estrelado por Edson Montenegro e Cléo De Páris, e conta com direção de fotografia de Carlos Ebert, o mesmo do curta "Satori Uso", premiado em Gramado em 2007. De acordo com o diretor Rodrigo Grota, a estrutura de "Booker Pittman" é a mesma de uma música de jazz: “Desde o começo, queríamos fazer um filme sobre o jazz, sobre o meio de vida que é o jazz: as viagens, a vida errante, a autodestruição, a simultaneidade, a fragmentação.Todos esses elementos deveriam conduzir a abordagem do filme, desde o método de filmagem até a montagem final. O filme está repleto de digressões, fragmentos, emoções que não se completam, histórias entrecruzadas: nada muito claro, um pouco disperso até, mas elementos independentes que no conjunto final podem adquirir uma certa unidade!", observa Grota, que também é co-autor do roteiro e montador do filme. Sobre Booker Pittman: Nascido em 1909, em Dallas, nos EUA, Booker Pittman ficou conhecido no Brasil nos anos 50 e 60 por ter se apresentado por diversas vezes com ícones da música popular brasileira. Nesta época, alguns amigos o chamavam de "Mestre Buca". Antes, em sua juventude, Pittman havia se apresentado nos EUA com grandes nomes da fase pré-bebop, como Count Basie e Ben Webster. Webster, um dos maiores saxofonistas da história, disse certa vez que por muito tempo Booker era um dos grandes a ser derrubado. No final dos anos 20, Pittman chega a tocar em Chicago, em um dos bares controlados por Al Capone. Em Nova York, no começo dos anos 30, grava alguns discos e conhece o "mundo do crime". Em 1933 se muda para a França, onde se torna amigo do pianista brasileiro Romeu Silva. Em 1936, Booker vem ao Brasil e se apresenta na Bahia, Pernambuco, fixando-se no Rio de Janeiro. Após conhecer no Rio um trio de jazz formado por americanos, se junta a eles e segue rumo a Buenos Aires, que se torna sua cidade entre 1937 e 1942. Em 1943, passa um ano na fronteira entre Brasil e Uruguai tentando abandonar o vício em cocaína. Entre 1944 e 1945, retorna à Argentina. Entre 1946 e 1948, apresenta-se em São Paulo, Santos e Rio. Em 1949, vem para o Paraná. Vive em Londrina em 1950. Sua vinda a Londrina lhe apresenta uma nova paixão: antes viciado em cocaína, Pittman se torna obcecado por cachaça. Intensificando o alcoolismo que lhe acompanhava desde a juventude, Pittman passa a perambular entre bares e prostíbulos, tornando-se um quase anônimo. Passa seis anos em Santo Antônio da Platina. No Rio de Janeiro, no final dos anos 50, uma revista de circulação nacional noticia a morte de Pittman. Um amigo íntimo, desconfiado, resolve vir ao Norte do Paraná. Após breve investigação, ele encontra Pittman como pintor de parede em um prostíbulo em Cornélio Procópio em 1957. Booker passa três meses em uma fazenda tentando se livrar do alcoolismo. Recuperado fisicamente, ele se apresenta em 1958 em São Paulo junto a um amigo antigo: Louis Armstrong. Após o show, conhece Ophelia, que se tornará sua esposa. No começo dos anos 60, de volta ao Rio de Janeiro, Pittman lança a carreira artística de sua filha: a cantora Eliana Pittman. Em 1969, Pittman morre, aos 60 anos, de câncer na laringe.
Ana Mota | |||||||||||||||||||||||||
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