A equipe de Netto e o domador de cavalos concedeu uma bem-humorada coletiva
12/08/2008
A coletiva de imprensa do filme Netto e o domador de cavalos, de Tabajara Ruas, acabou há pouco. A segunda experiência de direção do consagrado escritor gaúcho retoma, sete anos depois, a história de Netto perde sua alma, uma adaptação do livro homônimo do autor para as grandes telas do cinema.

Para Tabajara Ruas, o primeiro personagem Netto, de Netto perde sua alma, representou a figura do gaúcho derrotado, perdedor, não só da Revolução Farroupilha (1835 – 45), mas, sobretudo, de seus ideais e idéias. “Procuramos mostrar o outro lado. Não o lado do gaúcho clichê que ganha tudo, o tempo todo. Quisemos mostrar que a cultura gaúcha não é tão frágil e rasa. Agora o nosso grande personagem é um negrinho que foi morto à chicotada”, observa Ruas.

Tabajara Ruas ainda diz que decidiu contar a lenda mais popular do Rio Grande do Sul. A lenda de o Negrinho do pastoreio passou da forma oral para escrita pelas mãos de Simões Lopes (1865-1916) em seu livro Lendas do Sul, publicado em 1913 e, desde então, se tornou uma das lendas mais conhecidas do estado.

A narrativa conta a história de um menino escravo que cuidava de rebanhos e nem nome tinha, por isso o chamavam de negrinho do pastoreio. Um dia o menino, que pertencia a um fazendeiro perverso que o fazia trabalhar dia e noite, sem descanso, adormeceu e um cavalo que estava sob seus cuidados fugiu. Quando o estancieiro soube, espancou à chicotadas o negrinho e o colocou dentro de um formigueiro até que ficasse em carne viva. Apenas com um toco de velas o gurizinho teve que entrar no campo, durante a noite, e procurar o cavalo fujão. A lenda diz que para cada gota da vela derretida que caída no chão, se formava uma estrela. O céu ficou tão iluminado que ajudou o menino a avistar o cavalo. Fraco e agonizante, o menino caiu ali mesmo, até que Nossa Senhora descesse do céu, o pegasse no colo, e subisse com ele. Essa história inspirou o roteiro do filme que, desta vez, nasceu já como produto da sétima arte. Tabajara segue dizendo que a lenda do Negrinho é basicamente uma lenda sobre cavalos e essa foi a ligação que o aproximou de Netto.

Werner Schüneman, que interpreta o General Netto fez questão de salientar a importância deste personagem na sua carreira. “Vocês são testemunhas de tudo o que mudou na minha vida depois que interpretei Netto pela primeira vez”, salienta o ator que, bem humorado, continua, “são seis filmes concorrendo, cinco do Rio de Janeiro e outro representando os 26 estados que restam, contra o Império”, o ator se justifica atribuindo a brincadeira ao que Antônio de Souza Netto, segundo ele, certamente diria.

Werner, quando questionado sobre o caráter regional do filme, observou que a produção é tão regional quanto Cidade de Deus é para os cariocas. “O que o Brasil tem de melhor é a diversidade, é a diferença”, completa Tabajara Ruas.

Evandro Elias interpreta o negrinho. O ator tem experiência em teatro amador, mas essa é sua primeira vivência no cinema. Ele foi preparado pela atriz Fernanda Carvalho Leite durante três meses. “Já havia lido Simões Lopes Neto no colégio, mas pesquisei bastante e li muito mais para me preparar para este filme, conta o jovem ator.

Também estavam presentes Tarcísio Meira Filho, que interpreta o Índio Torres, a atriz Fernanda carvalho Leite, a produtora executiva Ligia Walper, entre outros membros da equipe técnica.


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