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Cinema marroquino e brasileiro vão promover intercâmbio
12/08/2008
A parceria entre o cinema do Brasil e do Marrocos deve se intensificar. O objetivo foi manifestado pelo secretário geral do Centro Cinematográfico Marroquino (CCM), Mustapha Stitou, esta manhã. Em entrevista coletiva, ele anunciou que irá propor ao presidente do Festival de Gramado, Alemir Coletto um intercâmbio entre atores, produtores e cineastas brasileiros e marroquinos. O CCM também quer ampliar a participação de filmes do Marrocos no Festival de Gramado no próximo ano, além de levar as produções do Brasil para serem exibidas nos festivais cinematográficos do país africano. Mustapha Stitou disse que o cinema marroquino é novo. Até 1957, o Marrocos ainda estava sob tutela da França e só a partir de 58, a indústria cinematográfica começou a se desenvolver, quando foi rodado o primeiro longa do país. Mas a média nunca passou de um título por ano. Para estimular a produção, o governo criou um fundo nacional em 1980. A iniciativa deu certo. Na década seguinte, os marroquinos passaram para quatro filmes anuais, chegando a produzir um total de 30 títulos. Mas outro problema começou a dificultar a distribuição das películas. Se durante o protetorado Francês, o país tinha cerca de 300 salas de projeção, na década de 90 esse número começou a reduzir e hoje são apenas 90 locais para exibição. Muitas fecharam por falta de conservação, mas a pirataria e a internet também favoreceram a diminuição do público. Hoje, o Marrocos produz anualmente uma média de 11 filmes graças a uma lei aprovada em 1989, que destina 5% da bilheteria e outros 5% da receita publicitária dos canais de televisão para o setor. Nos anos 90 o montante para os cineastas era de 1,5 milhões de euros por ano. Atualmente, o valor está em 6 milhões e a meta para 2012 é atingir os 10 milhões. O secretário-geral do CCM afirma que o valor é alto para um país que recém está começando no cinema e cujas produções não passam de 500 mil euros. Apesar de ser um país muçulmano, não existe restrição aos filmes produzidos. A temática é livre. De acordo com Mustapha Stitou, apenas três filmes foram proibidos desde 1958. Assim como no Brasil, o governo marroquino costuma apenas classificar a idade do público. A demanda das produções estrangeiras também incentiva o desenvolvimento do cinema nacional, além de promover o aquecimento da economia. Segundo, Stitou, no ano passado, foram mais de 60 pedidos de outros países para rodar no Marrocos. O país africano possui três estúdios de filmagem, além de 5 escolas privadas para formação de profissionais. Para sanar as carências do setor e fomentar o desenvolvimento do cinema nacional, o reino do Marrocos pretende inaugurar um instituto público, de nível superior, para formar novos profissionais. Além disso, de acordo com Stitou, o governo trabalha na criação de um fundo especial para a ampliação das salas de cinema. Enquanto isso não acontece, as cidades que não tem acesso às salas de projeção souberam se adaptar: para levar a cultura do áudio-visual à população, criaram festivais de cinema. Hoje o Marrocos possui mais de 10 festas nacionais que celebram a sétima arte.
Ana Mota | |||||||||||||||||||||||||
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