Dias e Noites quer incentivar a discussão sobre a violência contra a mulher
11/08/2008
O diretor de "Dias e Noites", Beto Souza, os atores Naura Schneider, Marcela Muniz e José de Abreu conversaram com a imprensa esta tarde. O filme foi exibido pela primeira vez em uma sala de cinema ontem à noite, na abertura do Festival.

Beto Souza diz que se preocupou em fazer um filme universal e que pudesse se passar em qualquer parte do mundo, já que aborda um assunto comum a várias culturas. Para que isso acontecesse, cortou o chimarrão e a bombacha do personagem Pedro Ramão, um estancieiro interpretado por Antonio Calloni.

A produção é uma adaptação do livro “Clô, Dias e Noites”, de Sérgio Jockymann, publicado em 1982. O longa mostra as três décadas da vida de Clotilde, uma mulher que sofre com a violência do marido, foge de casa e perde a guarda dos filhos.

Naura Schneider, que interpreta Clotilde, também produziu o filme. Foi ela quem convidou Beto Souza para dirigir o projeto, além de interferir na escolha dos atores. Na contramão da fama de que as produções gaúchas preferem atores do próprio Rio Grande do Sul, Nara optou por um elenco misto e equilibrado. “Eu quis escalar bons atores, rostos novos e alguns já conhecidos do público, tentamos acertar o perfil dos atores para cada personagem”, explica.

José de Abreu, que contabiliza 36 filmes no currículo, diz que foi a primeira vez que participou de um longa gaúcho. O ator ficou impressionado com a qualidade da produção e o profissionalismo da nova geração do cinema do sul.

Guto Graça Mello assina a trilha de "Dias e Noites" e também está animado com o trabalho. “Eu fui fazendo a trilha durante um longo tempo. Tinham cenas impactantes e o filme retrata 30 anos, então, foi um longo período de pesquisa", diz.

O filme, orçado em 2,8 milhões de reais, deve estrear no primeiro trimestre de 2009 nos cinemas brasileiros. O elenco espera que o filme possa incentivar a discussão sobre a violência contra a mulher em todo país. “Na cena final do filme fica claro o nosso recado às mulheres que sofrem com este problema. Mostramos a elas que existe outra opção, o não”, diz Naura Schneider.


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