Diretor Murilo Salles diz que "Nome Próprio" fala sobre a intensidade de ser mulher
11/08/2008
A coletiva de imprensa com o elenco de "Nome Próprio" terminou há pouco. O diretor Murilo Salles comentou que sua carreira se confunde com a do Festival, pois cinco de seus seis filmes foram exibidos na competição.

Murilo conta que levou seis anos para produzir e rodar "Nome Próprio" em função da dificuldade de se fazer cinema no Brasil. E que ao contrário de seus dois filmes anteriores, que retratavam a temática da violência urbana, preferiu abordar a relação do brasileiro com a internet. "Queria mostrar esta outra cara do Brasil, com um olhar mais urbano, de classe média. Por que temos que fazer só filmes sobre a miséria?", diz ele.

O primeiro contato do diretor com a escritora Clarah Averbuck, cuja obra inspirou o filme, foi através do jornal. Em seguida, ele passou a ler o blog da autora. "O que me interessou na Clarah, além da ligação dela com a internet, é essa coisa que ela tem com a ficção. Você nunca sabe o que é real ou ficção na obra dela. Como os internautas não podiam comentar no blog, se formavam discussões paralelas”, explica. Murilo Salles diz ainda que o longa é uma livre adaptação dos livros de Clarah e que a personagem que criou é diferente da trabalhada pela escritora.

O filme retrata a ligação de muitos jovens com a internet e por isso despertou o interesse de Leandra Leal. A atriz interpreta Camila, uma jovem que expressa suas emoções virtualmente. Leandra diz que tem computador pessoal desde os 13 anos de idade e costuma navegar pela rede com freqüência, inclusive escreve um blog. Para viver a personagem, Leandra morou no apartamento que serviu de cenário, leu livros de escritores que nunca havia lido e passou a sair sozinha na noite de São Paulo. Misturou a Camila de Clarah e a de Murilo. A interpretação lhe rendeu elogios.

Leandra também precisou trabalhar a nudez em diversas cenas. “A nudez foi muito tranqüila, a equipe me deixou à vontade. Fico impressionada como a questão da nudez ainda causa curiosidade. Neste filme estou nua o tempo todo, até quando estava com roupa. Tive várias cenas de roupa que foram difíceis. O nu só foi difícil quando estava frio”, revela. Murilo diz que para proteger a atriz optou por uma equipe reduzida. “As cenas eram muito intensas, era a câmera ali com ela o tempo todo, no poro da personagem”, comenta.

Nome Próprio fala sobre clausura, sobre o isolamento que a internet nos traz, sobre a espera da conexão num tempo em que a rede era discada. Mas, o filme é bem mais do que isso. “Descobri que fiz um filme que fala sobre a mulher, sobre o transbordamento feminino, sobre paixão”, conta Murilo.


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