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Leonardo Sbaraglia festeja sua trajetória no cinema com o Kikito de Cristal

Na quinta-feira à noite Leonardo Sbaraglia estava em cena em Córdoba. Saiu do teatro direto para o aeroporto. Chegou ao Rio de Janeiro por volta das 3h, pegando em seguida um voo para Porto Alegre e, de lá, chegou a Gramado no fim da manhã de sexta. Um esforço recompensando pela alegria e emoção de receber à noite, no Palácio dos Festivais, o Kikito de Cristal.

Antes do momento especial, quando recebeu a homenagem das mãos do amigo e companheiro de sets Jean Pierre Noher, à tarde ele concedeu uma entrevista coletiva na Cristais Gramado. Ali, como já reza a tradição, começou a dar forma à estatueta que será entregue ao homenageado da edição de 2020. E o tempo foi o principal tema de suas declarações.

“Surpreende ser homenageado. Fiz muita coisa, mas nunca me sinto suficientemente honrado para ser homenageado. O que me interessa sempre é encontrar novas ferramentas, outros elementos de trabalho para poder ser outro ator. Olhando-me, desde sempre vejo limitações. Tenho muito que aprender. Aos 49 anos, vejo a vida e a profissão sempre como um lugar novo, com tudo para aprender. Isso dá esperança. Nos últimos seis anos, vocês me deram muito amor”, declarou.

Ele também destacou o fato de começar na profissão cedo, aos 16 anos, em “La Noche de los lápices”, de 1986, emendando em seguida participação na popular série televisiva “Clave de sol”.

“Passam muitos anos e o que sempre digo é que talvez alguém de fora te vê menos mal do que você se vê. Foi um caminho lindo, bonito, com a possibilidade de ir crescendo e fazer o que gostava. Essa luta vai te moldando. Não quero dizer que consegui a ilusão dos quinze anos. A realidade é tridimensional. O importante é ser verdadeiro e fazer as coisas com alegria. Esta é uma profissão maravilhosa, pois dinamiza teu crescimento pessoal. O que acontece na vida surpreende até o teu processo autoral. Se não há uma coisa, não há outra”, avaliou.

Essa construção de uma carreira que agora contabiliza mais de cem filmes em produções argentinas, brasileiras e em diferentes países da Europa, como o recente trabalho com Pedro Almodóvar, “Dor e glória”, são os frutos de um caminho que ele faz questão de afirmar que começou pelo teatro, em peças com o diretor Alfredo Alcon, e nos cinco longas dirigidos por Marcelo Piñeyro.

“A princípio me frustrei, depois fui aprendendo. Fui descobrindo que é melhor trabalhar menos e me aprimorar mais. Tive a sorte de trabalhar com Almodóvar, num projeto que tem a ver com meu desenvolvimento pessoal”, disse.

A situação da indústria do audiovisual e a crise que aproxima o contexto brasileiro do argentino também foram temas da coletiva.

“As políticas dos governos afetam a criação. A cultura e a educação são os lugares mais vulneráveis, sofrem segundo as ideologias dos governos. Reduzem investimento nos pequenos, investem nos grandes. O cinema argentino sofreu nos últimos quatro anos e vai continuar sofrendo muito mais. Havia diversidade para todos os públicos. Estamos num momento muito delicado. Temos que brigar menos e nos aproximar dos nossos diferentes para nos ajustarmos com o melhor de cada um. Tem muita gente morrendo de fome na Argentina”, falou o ator.

Sbaraglia também falou sobre o filme “Wasp network”, que estará no festival de Veneza e de San Sebastian, no qual contracena com Wagner Moura, e da série “Maradona, sueño bendito”, da Amazon, que deverá ser exibida em 200 países.

“Conhecia Wagner de ‘Narcos’ e ‘Tropa de elite’. É uma pessoa incrível. Me impressiona muito como ator. É um bom ator, pouco importa em que sotaque fale. É magnético, tem presença e muita verdade. Na série sobre Maradona faço o Guillermo Copolla, que foi o empresário dele quando viveu em Nápoles. É um personagem carismático, eram como irmãos, os dois viveram juntos em Nápoles, uma história e amor”, contou .

Revista, em takes, um pouco de sua vida e obra, à noite Leonardo Sbaraglia passou pelo tapete vermelho feliz e sorridente, acenando para o público e sendo saudado por ele. No palco, abraçou o amigo Noher, reverenciando o festival de Gramado que, como o cinema brasileiro, também o reverencia e o faz rever a trajetória para recomeçar sempre:

“Que precioso! É muita emoção estar recebendo todo esse afeto de vocês e do cinema brasileiro. Pensei em muitas palavras, mas não me sai nada. Tenho 49 anos e pela primeira vez sinto que estou descobrindo o mundo. Espero voltar aqui daqui a trinta anos. Este é o momento de começar a ver o mundo como uma criança”.

Ministério da Cidadania, Secretaria de Estado da Cultura, Stone Pagamentos e Gramado Parks apresentam o 47º Festival de Cinema de Gramado. Lei de Incentivo à Cultura. Patrocínio: Stella Artois, Snowland, BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual e Ancine – Agência Nacional do Cinema. Copatrocínio: Banrisul, o grande banco do sul. Apoio especial: Campari, SEMP TCL, Casa Aveiro. Apoio: Café 3 Corações, G2 Net Sul, Le Joli, Laghetto Hotéis, Lugano, Canal Brasil, Naymar Cia Rio, Miolo Wine Group, Stemac Grupos Geradores, Tecna PUC, Cristais de Gramado. Transporte oficial: KIA. Transportadora aérea ofical: Gol. Agência Oficial: Brocker Turismo. Apoio institucional: Museu do Festival de Cinema de Gramado, SIAV RS, ACCIRS, IECINE, APTC/ABD-RS, Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine. Agente cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento: Pró-Cultura/RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização: Gramadotur, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Governo Federal, Pátria Amada Brasil