Averno é o nome do vulcão pelo qual se acessa o inferno na Divina Comédia, de Dante Alighieri. Este é também o título do filme boliviano na competição de longas estrangeiros no 46º Festival de Cinema de Gramado, embora o Averno da versão cinematográfica seja apresentado como “um lugar do imaginário dos habitantes andinos onde convivem vivos e mortos e onde tudo encontra sua cara oposta”.

É dessa inusitada mistura de influências ocidentais, que vai de Freud à lenda do rei Arthur, com a cosmologia dos povos dos Andes – só na Bolívia são 36 culturas reconhecidas oficialmente pela Constituição – que se nutre o filme do diretor Marcos Loayza. “Todos os mitos de alguma maneira se parecem. Este é um filme feito para mergulhar no mundo subconsciente do espectador”, revela.

A ideia surgiu a partir de um documentário que Loayza estava rodando sobre a Bolívia. “Me dei conta de que há um ponto de vista em comum entre quechuas, aimaras e todos os povos andinos: para todos existe o mundo de cima, o nosso, do presente, e o de baixo, o ‘macapacha’, que não é o inferno, é um lugar onde tudo convive”, explica o diretor.

É nesse local (chamado no filme de “Averno”) que o protagonista Tupah precisa encontrar um tio, trombonista do conjunto Fusion los Andes, que é convocado por um mafioso da região para tocar em um enterro. Por ser tarefa encomendada por um chefe local, Tupah não pode recusar o desafio e precisa partir da realidade da favela onde vive – cercada de perigos reais como bandos criminosos e becos escuros – para entrar no mundo mágico de Averno onde seres fantásticos e mitos locais convivem.

Embora não tenha pretensão de ser um tratado antropológico, o resgate da cultura oral dos povos tradicionais bolivianos tem chamado atenção no país, onde o filme já foi visto por 30 mil espectadores nos cinemas. “Acho que é o campeão de bilheteria entre os filmes bolivianos”, explica o produtor Santiago Loayza.
“Vimos muitos anciãos no cinema com seus netos, dizendo a eles que aquilo que mostrava o filme era a verdade”, complementa o irmão Alejandro.

Ao intérprete de Tupah, Paolo Vargas Ampuero, restou conter toda a expressividade que aplica tradicionalmente na dança e no teatro para representar o tipo comumente associado ao habitante andino. “Foi um trabalho diferente de tudo que fiz anteriormente. Foi preciso limpar caretas, quase não ter reações visíveis pelo rosto, mas manter um forte sentimento interno, que se expressa pelos olhos”, explica o ator.

(Texto: Naira Hofmeister / Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto)

Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer e Snowland apresentam o 46º Festival de Cinema de Gramado. Lei de Incentivo à Cultura. Patrocínio: Stella Artois e Casa Aveiro By Dolores. Apoio especial: Gramado Parks. Apoio: Stemac Grupos Geradores, Lugano, Cristais de Gramado, Viviela London, G2 Net Sul e ENIT – Agência Nacional de Turismo da Itália. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine, ACCIRS, IECINE, APTC/ABD RS, SIAV e Museu do Festival de Cinema de Gramado. Agência Oficial: Vento Sul Turismo. Transporte Oficial: Kia. Agente Cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento Pró-Cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização: Gramadotur, Ministério da Cultura, Governo Federal.

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