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Carla Camurati ilumina o cinema brasileiro

“Vamos em frente, que tem muita coisa por aí”, conclamou Carla Camurati, no final das declarações que fez sábado à noite, ao receber o Troféu Eduardo Abelin, no Palácio dos Festivais.

O que anima a atriz, diretora e produtora a ir em frente é uma trajetória que começa lá atrás, em 1981, quando, no mesmo palco, recebeu seu primeiro prêmio, pelo primeiro longa que fez com o diretor e amigo José Antônio Garcia. “O olho mágico do amor” já anunciava o que viria depois: a paixão pelo cinema, a forma inquieta de estar e atuar num set, atenta à luz, aos enquadramentos, à atuação e direção.

“Gramado é muito especial para mim, foi meu primeiro festival. É um mundo de emoções. Meu primeiro Kikito foi de madeira”, recordou.

Depois deste troféu, vieram mais. Em 1985, ganhou Prêmio Especial do Júri, por “Estrela Nua”, depois Kikito de Melhor Atriz por “Eternamente Pagu”, em 1988.

“Minha relação com o cinema vem desde os sete anos. Sou feliz em qualquer coisa dentro do cinema, faço tudo, até figuração”, disse, lembrando que gravou uma cena de costas, como figurante de “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”, lançado em 1995.

“Carlota” é histórico na cinematografia nacional. Inaugurou a retomada do cinema brasileiro, reatando sua relação com o público, aproximando-se dele. O longa também afirmou sua transição para a condição de produtora e diretora à frente da Copacabana Filmes. Como Carlota Joaquina, como Pagu, Carla foi afirmar o lugar da mulher no cinema brasileiro. Por isso, ao ser homenageada, também homenageou o filho, Antônio, que lhe acompanha nos sets deste pequeno. E “às tantas mulheres que fazem o cinema brasileiro”.

É por este viés que Carla Camurati também revisa sua carreira ao ser questionada sobre a perspectiva de voltar a atuar na televisão, veículo que lhe deu projeção e popularidade.

“Não gosto da ideia de me repetir. Precisava sair da fórmula da boazinha, precisava falar de outros assuntos, por isso fui dirigir”, argumentou, contando que um dos seus novos projetos é um documentário sobre a presença das mulheres nas cinco principais religiões do mundo: hinduísmo, judaísmo, cristianismo, budismo e islamismo. Além desse projeto, ela também integra a plataforma multimídia Mulheres Mix.

“A gente precisa bordar juntas, conversar juntas. Mulheres têm um senso crítico muito agudo, são capazes de se criticar pela escolha do esmalte. O universo feminino precisa se misturar, precisamos nos dar o direito de sermos diferentes”, disse.

Pausadamente, enquanto toma umas gotas de florais em meio à coletiva concedida, quando usava um vestido de linho fluido e juntava as mãos em sinal de agradecimento em vários momentos, Carla encarou o tema sobre a conjuntura do audiovisual brasileiro. Então respirou:

“Não vamos chamar de crise o que estamos vivendo. Talvez seja uma situação confusa. Temos uma produção de muita qualidade lançada e para sair. O investimento na indústria do audiovisual é estratégico. O dentista, o padeiro, todo mundo precisa se comunicar através do audiovisual, ninguém está fora deste contexto. Ando querendo fatos, para reagir diante deles. Existem leis para serem cumpridas, ações para serem implementadas. Precisamos de menos brigas e mais conversas. Quem estimula nossa raiva nos emburrece. Precisamos respirar.”

Essa perspectiva inclui a liberdade de temas, como ela mesma faz questão de frisar: “Não tem um filme que fiz que não tivesse política, religião e sexo”. São temas que existem e não podem deixar de serem abordados, diz a protagonista de “Estrela Nua”, “Cidade oculta” e “Lamarca”.

Por esse viés que Carla Camurati foca suas ações e seu discurso sobre o Brasil e seus percursos, tema da produção que está finalizando, o documentário “História de um tempo presente”. O filme organiza uma leitura sobre o país a partir de imagens que partem das Diretas Já e chegam à eleição do atual governo.

“É uma série de caquinhos que estou juntando, um mosaico da história do país, num trabalho delicado para costurar essas imagens. É um retrato dos fatos e as emoções que eles provocam. O prólogo mostra Ulisses Guimarães com a Constituição promulgada em 1988 na mão pedindo que ela seja cumprida”, antecipa.

É por estes caminhos construídos e pela afirmação da importância deles que Carla Camurati revisitou a história do país com “Carlota Joaquina” e vai propor uma revisão dela com o novo documentário. São percursos que afirmam a homenagem recebida à qual ela reverenciou.

“Passei por este tapete vermelho com o coração galopando. O Festival de Gramado é o único que conseguiu se manter em 47 anos com os melhores filmes, os maiores embates. Isso me emociona e me faz feliz. Sempre quis conquistar o Brasil. Penso que, neste momento, precisamos manter o foco para não nos perdermos no caminho. Não devemos ser esponja de coisas negativas. Temos que iluminar o que nos interessa iluminar”.

 

Ministério da Cidadania, Secretaria de Estado da Cultura e Gramado Parks apresentam o 47º Festival de Cinema de Gramado. Lei de Incentivo à Cultura. Patrocínio: Stella Artois. Copatrocínio: Banrisul. Apoio especial: TCL. Apoio: Stemac Grupos Geradores, Lugano, Cristais de Gramado, G2 Net Sul, Café 3 Corações, Le Jolie, Laghetto Hoteis, Canal Brasil, Tecna Puc;. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine, ACCIRS, IECINE, APTC/ABD RS, SIAV e Museu do Festival de Cinema de Gramado. Transportadora Aerea Oficial: Gol; Agência Oficial: Brocker Turismo. Transporte Oficial: Kia. Agente Cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento Pró-Cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul; BRDE, Fundo Setorial do Audiovisual e Ancine – Agencia Nacional do Cinema. Realização: Gramadotur, Ministério da Cidadania, Governo Federal, Pátria Amada Brasil.